O que dizem as normas da ABNT sobre escoramento de lajes?

Muitas pessoas acreditam que a ABNT determina que o escoramento deve ser feito obrigatoriamente com escoras metálicas. Isso não é verdade.

Na realidade, as normas estabelecem que qualquer sistema de escoramento — metálico ou em madeira — deve ser projetado, dimensionado e executado de forma que suporte com segurança todas as cargas durante a concretagem e o período de cura do concreto.

As principais normas relacionadas ao escoramento de lajes são:

ABNT NBR 15696 – Sistemas de fôrmas e escoramentos para estruturas de concreto

É a principal norma sobre o assunto.

Ela determina que o projeto de escoramento deve:

  • especificar as cargas admissíveis dos equipamentos utilizados;
  • definir exatamente o posicionamento de todos os elementos do escoramento;
  • definir as cargas nas bases de apoio;
  • apresentar plantas, cortes e detalhes suficientes para que a montagem seja executada corretamente.

Quando o sistema utilizar madeira, a norma exige que sejam observadas também as prescrições da ABNT NBR 7190.

ABNT NBR 14931 – Execução de estruturas de concreto

Esta norma determina que o sistema de fôrmas e escoramentos seja executado conforme a NBR 15696.

Também estabelece que o escoramento não pode sofrer deformações prejudiciais causadas pelo peso próprio, pelo concreto fresco ou pelas ações de construção durante a execução da estrutura.

ABNT NBR 7190 – Projeto de estruturas de madeira

Sempre que forem utilizados pontaletes de madeira ou eucalipto, o dimensionamento deve seguir os critérios desta norma.

Ela considera fatores como:

  • resistência da espécie utilizada;
  • umidade da madeira;
  • flambagem;
  • comprimento livre;
  • propriedades mecânicas;
  • esforços de compressão.

Ou seja, não basta utilizar um tronco de eucalipto. É necessário comprovar que aquela peça suporta as cargas previstas no projeto.

A ABNT proíbe utilizar pontaletes de eucalipto?

Não.

A norma não proíbe o uso de pontaletes de madeira.

Porém, ela também não autoriza seu uso de forma empírica.

O que ela exige é que qualquer sistema utilizado seja devidamente dimensionado, montado e inspecionado.

Na prática, isso significa que o simples fato de um pontalete “parecer resistente” não atende aos requisitos normativos.

Quais podem ser as consequências de uma laje mal escorada?

Uma falha de escoramento pode provocar consequências muito superiores ao valor economizado na compra de madeira.

  1. Risco de acidentes graves

O colapso de uma laje durante a concretagem pode causar:

  • mortes;
  • esmagamentos;
  • fraturas;
  • lesões permanentes;
  • afastamento de trabalhadores.

Como normalmente existem várias pessoas trabalhando sobre a estrutura durante a concretagem, um único colapso pode atingir diversos profissionais ao mesmo tempo.

  1. Perda da estrutura

Mesmo sem vítimas, o prejuízo pode incluir:

  • perda total da laje;
  • perda das fôrmas;
  • perda das armaduras;
  • descarte do concreto;
  • reconstrução completa da estrutura;
  • atraso significativo no cronograma.
  1. Prejuízo financeiro

Uma falha de escoramento pode gerar custos como:

  • reconstrução da laje;
  • compra de novos materiais;
  • horas extras das equipes;
  • locação adicional de equipamentos;
  • multas contratuais por atraso;
  • indenizações;
  • aumento do custo final da obra.

Na maioria dos casos, o prejuízo é muito superior ao valor economizado na escolha do sistema de escoramento.

  1. Responsabilidade técnica e jurídica

Quando um acidente ocorre, normalmente são analisados aspectos como:

  • existência de projeto de escoramento;
  • atendimento às normas da ABNT;
  • responsabilidade técnica do engenheiro;
  • condições de montagem;
  • inspeções realizadas durante a execução.

Dependendo das circunstâncias, podem existir responsabilidades:

  • civis;
  • trabalhistas;
  • administrativas;
  • criminais.

Além disso, a obra pode ser embargada até que todas as irregularidades sejam corrigidas.

O barato pode sair muito caro

Na simulação apresentada neste artigo, uma laje de apenas 100 m² apresentou uma diferença de aproximadamente R$ 5.000 entre os sistemas quando são considerados todos os custos da operação.

Mas o maior risco não está apenas no custo.

Uma laje mal escorada pode comprometer a segurança dos trabalhadores, atrasar toda a obra e gerar prejuízos muito superiores ao valor economizado inicialmente.

Por isso, a decisão não deve ser baseada apenas no preço do material, mas também em produtividade, segurança, conformidade com as normas técnicas e confiabilidade do sistema de escoramento.